O MacGyver é uma figura que todo santo dia senta no balcão de um bar no Paraíso, em São Paulo, para tomar uma cerveja.
O boné que ele nunca tira parece que não lhe cabe na cabeça, sempre o usa deste modo. Depois de alguns tragos faz sempre uma palhaçada para os garçons (outro dia estava dançando para uma garotinha, que eu acho que ficou deseperada).
Já ouvi dizer que é pedreiro, encanador, pintor….para mim ele disse ser advogado. O porquê de MacGyver acho que nem ele sabe.
Conheci o Téo em 1999 na primeira vez que fui a São Tomé. Na época ele fazia umas esculturas de fadas e duendes e vendia na feira hippie que acontecia na praça.
Agora não bebe nem fuma pois “pediu ajuda para Jesus”, como ele disse. Ganhou alguns festivais da canção por Minas Gerais se apresentando como Téo Natureza e mora em sua própria “roça” com a esposa e os filhos.
O cara parece ligado no 220. Rodou com a família todas as cachoeiras que pode, ainda teve tempo de sentar no bar pra bater um papo e cantar Raul Seixas. No fim, adotou um cachorro, que apelidou de Tomé.
Outro típico de São Tomé das Letras. Contou sobre o tempo que morou na roça em Visconde de Mauá.
É músico mas ao contrário de Ventania, Tibilk e outros da cena hippie de São Tomé, faz um som mais elaborado (nada de só 2 acordes), sem aquele papo batido de cogumelos e drogas. O problema é que ele não gosta de palco então poucos conhecem sua música.
Ficou tão amigo que veio com a gente para São Paulo de carona.
O Tibilk é um ser lendário de São Tomé das Letras. É um dos poucos malucões por lá que é nativo. Quase todos que visitam a cidade acabam conhecendo a figura e sua música “Ai, Lourdes”.
Tem um modo prá lá de manso de falar, acaba se emocionando qualquer coisa (quase chorou quando a polícia enquadrou um pessoal fumando maconha) e fica nervoso se não tem atenção.
Disse que tomou tanto chá de cogumelo que os bois até conheciam ele no pasto. Resolveu nunca mais tomar depois de uma bad trip quando tomou com uns amigos uma mistura de 120 cogumelos com leite condesado.
Em um buteco em São Tomé das Letras, um hippie dançando Led Zeppelin me ofereceu um copo de cachaça. Pouco depois ele foi perguntar de onde veio a pulseira da minha namorada.
Era o Fumaça. “Fumaçachussets”.
Típico hippie de São Tomé, mora na “roça” da cidade e faz trabalhos com couro. Pensa em construir uma casa em alguma árvore para morar.
“São Paulo vive de hipocrisia, quem vive de aparência é a gente”.
Primeiro, preciso fotografar mais do modo e tema que prefiro: pessoas. De perto. Proximidade gera interação e intimidade.
A câmera despe, expõe, fere. Retratar é saber quando o sujeito se deixará ser atingido. E as pessoas permitem isso apenas depois de certa intimidade.
Além disso, sempre me perguntam sobre as situações que acontecem quando fotografo e aqui já poderei contar um pouco.
Estipulei algumas regras para seguir ( ou não ):
- fazer 500 retratos de pessoas diferentes em 2013;
- tudo de perto, nada de retrato a distância;
- conversar, conhecer, entender, ou o que seja, cada uma delas;
- anotar o que for possível (preciso aprender a fazer isso);
- colocar aqui um breve texto sobre a situação e o sujeito da foto.
Acho meio complicado fazer isso para 500 pessoas no período de um ano, mas não custa tentar.